História

A História de Garopaba inicia-se no descobrimento do Brasil. No ano de 1525, a “Baía de Garopaba” serviu como abrigo à expedição naval da cidade de Corunha, que a utilizou para fugir de um temporal.

Aqui vivia o índio Carijó, da tribo dos Guaranis. Homem simples e de caráter pacífico, alimentava-se da caça, da pesca e dos produtos naturais da terra, como a farinha de mandioca, utilizada até os dias de hoje.

O primeiro povoado só surgiu em 1666, formado por imigrantes açorianos. Foram os tupi-guaranis os primeiros habitantes de Garopaba, e foram eles que deram o nome à cidade. Este nome vem grafado — gahopapaba — na carta Turin, de 1523, ou ainda como ygá, upaba, guarupeba, que significa a enseada de barcos, do descanso, ou ainda o lugar abençoado. A verdadeira definição está no Guarani, a língua local: ygá, ygara, ygarata significa arco, embarcação, canoa; e mpaba é estância, lugar, enseada.

Os açorianos desembarcaram em Garopaba enviados pelo Império Português, procedentes em sua maioria da 3ª Ilha dos Açores. Em 1793, foi criada a Armação de São Joaquim de Garopaba. No ano de 1830 é elevada à Freguesia. A Paróquia foi criada por decreto do Governo Imperial, porém sua instalação oficial ocorreu no ano de 1846. Em 1890, com trabalho de mobilização da Freguesia, Garopaba é elevada a Vila, por decreto do Governador Lauro Severino Muller. No dia 08 de abril do mesmo ano, o Governador nomeia os membros do Conselho da Intendência que dirigiria o Município. A instalação só ocorreu no dia 07 de junho de 1890. A Guarda Municipal é criada em 1896.

Em outubro de 1906 passa a fazer parte da Comarca de Palhoça. Em 1923, perde a condição de Município, passando a integrar o Município de Imbituba, pertencendo à Comarca de Laguna. Em 1930, Garopaba passa a Distrito de Palhoça. No ano de 1961, volta à condição de Município, sendo fundada em 19 de dezembro de 1961, através da Lei nº 798/61.

Túnel do tempo

Algumas curiosidades da cidade ao longo das décadas passadas.

Garopaba foi sede de uma armação baleeira

Afirmar que Garopaba foi sede de uma armação baleeira destaca um fato de significado histórico que ainda se faz presente na paisagem do seu centro histórico. Armação baleeira pode ser entendida como o local onde as baleias eram desmanchadas e onde funcionava toda a grande empresa de caça — um núcleo de pesca e manufatura de derivados da baleia, ativo no Brasil Meridional nos séculos XVIII e XIX.

A armação baleeira que funcionou em Garopaba entre 1793 e 1837-39 é um dos marcos da ocupação do território e da constituição do que atualmente é Garopaba. Neste período se processa a chegada e ocupação do litoral catarinense pelos açorianos, a partir de 1748, quando são criadas as Freguesias de Nossa Senhora do Rosário da Enseada de Brito (1751), que incluía o território da atual Garopaba.

A armação São Joaquim de Garopaba instalou-se na área atualmente designada como centro histórico. Era um empreendimento de estrutura complexa e imponente para a época: edificações para o processamento e armazenamento do óleo e das barbatanas (a Casa de Engenho de Frigir e a Casa dos Tanques), a Capela São Joaquim — atualmente a Igreja São Joaquim, tombada pela Fundação Catarinense de Cultura —, além de casas para os escravos, para os responsáveis pela pesca (arpoadores, timoneiros e remeiros), para os ajudantes da administração e para o próprio administrador.

Em Garopaba, o administrador principal foi Manoel Marques Guimarães, que aqui chegou em 1795 e onde faleceu e foi sepultado em 1824. O óleo das baleias era o principal produto, destinado à iluminação particular e pública, com função de grande significado social e econômico. A casa do administrador da armação é o único exemplar que ainda está de pé: localizada ao lado da Igreja, em posição estratégica, dá uma ideia do seu valor histórico, arquitetônico e cultural.

Garopaba foi uma freguesia entre 1830 e 1890

No Brasil colonial, a freguesia era o mesmo que em Portugal, sem distinção entre freguesia e paróquia: significava agrupamento, povoação paroquiana, a menor divisão administrativa. No Império do Brasil, as províncias eram divididas em municípios, que por sua vez se dividiam em freguesias.

O decreto de 9 de dezembro de 1830, assinado pelo então governador Miguel de Souza Melo e Alvim, criou a Freguesia de São Joaquim de Garopaba — representando a sua “certidão de nascimento”. O decreto condicionava a implantação à existência da Igreja Matriz e da Casa do Vigário, concretizada em 1848 com a nomeação do padre Vicente Cordeiro como Vigário de Garopaba. Entre 1830 e 1848, a localidade continuou subordinada à Freguesia de Enseada de Brito.

A lei nº 231, de 13 de maio de 1846, autorizou a instalação da Freguesia de Garopaba, que passou a ser subordinada a São José até 1890. Entre os marcos do período, destacam-se a chegada do padre Rafael Faraco, uma das principais lideranças, e a criação do cargo de professor das primeiras letras em Garopaba, em 1848.

Garopaba foi uma vila entre 1890 e 1923

A proclamação da República, em 1889, trouxe alterações nos grupos que exerciam o poder. Santa Catarina passa a ser governada por Lauro Muller, que assina os decretos de criação e de supressão da Vila. A criação da Vila se dá pelo decreto nº 6, de 7 de março de 1890, implicando na instalação de instituições municipais e estaduais.

Com a criação da Vila, outros órgãos foram instalados: agência de correios, de telégrafos, coletoria, delegacia de polícia, juiz de paz e cartório, entre outros. A autonomia para fixar leis, criar impostos e regulamentar a vida cotidiana — como o Código de Posturas — distingue a relevância de ser Vila.

O Centro Histórico de Garopaba foi o palco onde aconteciam os principais fatos da sociedade garopabense daquele tempo, o que reforça a importância do lugar e a necessidade de sua valorização como referência da memória e da História de Garopaba.

Fonte: João Pacheco — Técnico em Assuntos Educacionais do IFSC e Acadêmico de História na UDESC.